DCE se posiciona em relação a declaração do Reitor da UFF sobre o boicote ao Enade

“Os alunos que arquem com as consequências. É um acovardamento o MEC não punir os estudantes que fazem boicote e entregam a prova em branco. Tem que ter coragem de não deixar se formar quem boicota o Enade”. Com essa declaração ao jornal O Globo, o reitor da UFF, Roberto Salles, coloca sua posição sobre o direito que os alunos têm e ainda criminaliza este direito.

No fantástico mundo de Bob Salles, a fantasia não tem limites. Algumas semanas após sugerir importar indios para cumprir as cotas na Universidade, o excelentissimo Reitor da UFF agora sugere ao MEC punir os estudantes que boicotaram o ENADE. Seja por protesto por um novo modelo de avaliação institucional, ou mesmo por não se sentirem obrigados a fazer uma prova que não avalia nada, o fato é que muitos estudantes da UFF se recusam a levar a sério a avaliação que o MEC impõe as universidades.

O DCE-UFF acredita que boicotar a prova do Enade é um direito, e defendemos que isso aconteça. Sabemos que a UFF é uma universidade de referência e o boicote e, porventura, a reprovação de determinados cursos, não faz com que menos alunos escolham a UFF, como podemos ver nos cursos de Arquitetura, Ciências Sociais, Comunicação Social, Serviço Social, entre outros, que historicamente boicotam a prova, ao contrário do que foi dito pelo reitor.

Para entender porque defendemos o boicote é preciso ressaltar que manifestamos a importância de uma avaliação para a localização dos problemas das universidades. Porém, uma avaliação que não se compromete em assegurar soluções para esses problemas reveste-se de um caráter inócuo. O Enade, como parte do Sistema Nacional de Avaliação das Instituições de Ensino Superior (Sinaes), não cumpre esse objetivo.

As instituições que recebem nota baixa são punidas e recebem menos investimentos. Ou seja, os melhores cursos são premiados, enquanto os mal colocados não recebem ajuda, sem oferecer, portanto, uma proposição aos problemas encontrados. Além disso, os resultados do Enade são muito usados como propaganda pelo mercado, distorcendo o papel social que a Universidade deve cumprir e mercantilizando o ensino.

A premiação ocorre também para os alunos mais bem colocados na prova, que recebem bolsas de estudo pelo Sinaes. Cria-se, assim, uma competividade entre os próprios estudantes e fere o princípio constitucional da isonomia, isto é, a igualdade de direitos.

Por ser um exame feito por uma comissão composta majoritariamente por representantes do MEC ou pessoas indicados por este, o processo de avaliação é centralizador sem que haja critérios para sua composição. O que não garante uma representatividade das Instituições de Ensino Superior e da sociedade e desconsidera as diferenças sociais, políticas, econômicas e culturais existentes no país.

É importante lembrar que o Enade foi imposto como Medida Provisória pelo Governo Federal, sem que houvesse um debate com a sociedade para a construção de um sistema de avaliação.

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Movimento DCE Vivo

O Movimento DCE Vivo nasce da compreensão da importância de se ocupar com cultura e política os espaços públicos da cidade de Niterói.

O ‘Espaço DCE UFF – Fernando Santa Cruz’ é o maior Diretório Central de Estudantes da América Latina e é muito importante que esse prédio possa voltar a ser uma referência enquanto pólo de cultura em nossa cidade assim como uma importante estrutura para o movimento estudantil e trabalhadores da comunidade niteroiense.

Na contra-mão da indústria cultural e do mercado da cultura, que só lhe oferece teatro, cinema ou qualquer outro tipo de lazer apenas se você tiver condições de pagar por eles, oferecer cultura gratuitamente a partir do Espaço DCE UFF é também um movimento de contra-hegemonia que afirma a cultura como direito em tempos onde privatizar é a grande ordem para tudo.

Entretanto, ocupar esse espaço com cultura, com política e voltar a dar vida a um dos maiores prédios sob gestão estudantil do Brasil é uma tarefa onde cada um deve se sentir responsável e tomar para si a tarefa de também construir um DCE Vivo e com grande capacidade de transformação social.

O movimento é horizontal e todas as suas decisões são tomadas em assembleia abertas a todo e qualquer interessado em contribuir com a iniciativa.

O projeto é audacioso, mas reafirmar a vida em um DCE que já foi vanguarda na luta contra a ditadura e que possui em sua biografia lutadores históricos como Fernando Santa Cruz, é o dever de qualquer estudante da UFF que hoje ainda possui a ousadia de sonhar com um prédio público, vivo, ocupado por arte e principalmente protagonista das lutas sociais em Niterói.

e participe da nossa próxima reunião será no dia 09/01, às 18h, no DCE.

Fernando Santa Cruz: presente!

Cineclube sobre a greve no IACS

Galera, hoje temos atividade da calourada do DCE.

Vamos fazer um cineclube no IACS sobre o processo de greve para @s estudantes, professores e servidores. Eblin Farage, presidente da Aduff e Pedro Rosa, presidente do Sintuff já confirmaram a presença para enriquecermos nosso debate.

Relatoria do Conselho de CA’s e DA’s

Relatoria do Conselho de CA’s e DA’s do dia 09 de outubro, na Faculdade de Economia.

CA’s e DA’s presentes: Ciências Sociais, História, Serviço Social, Economia, Comunicação Social, Biologia, Administração, Psicologia, Direito, Ciências Atuariais, Sociologia, Produção Cultural.

  • Moção de Repúdio em relação a declaração do Reitor sobre as cotas (segue abaixo).
  • Defesa e fomento da proposta de realocação e reajuste dos valores (e números) das bolsas feita pelo comando de greve frente a proposta da reitoria (PROAES).
  • Data para o debate sobre reorganização do ME. Incorpora-la a comissão que irá pensar a calourada.
  • Ratificação do indicativo do comando de greve sobre a saída dos estudantes de greve.
  • Elaboração de uma comissão dos CAS (aberta) para terminar e aperfeiçoar a proposta de planilha trabalhada pelo comando local de greve. Assim como a elaboração de uma campanha que vise divulgar o projeto.
  • Retomar as questões das pautas gerais do DCE junto a comissão que irá pensar a próxima calourada. Carteirinha UFF (convênio Santander, EBESERH, catracas, viaorla e 100 etc…)

MOÇÃO DE REPÚDIO A DECLARAÇÃO DO REITOR DA UFF, ROBERTO SALLES, SOBRE A POLÍTICA DE COTAS

 Para se opor a proposta de 50% de cotas para estudante de escolas públicas, negros e índios o Reitor da UFF disse publicamente ao jornal O Globo em tom de ironia: “Vamos Importar Índios”. Este Conselho repudia a afirmação preconceituosa do Reitor Roberto Salles, que envergonha toda a comunidade acadêmica e a própria universidade.

A política de reserva de 50% das vagas da UFF para negros, índios e estudantes de escolas públicas representa um importante avanço para o país tendo em vista o atual panorama de desigualdade nas Universidade Públicas. Sobretudo para os setores historicamente oprimidos em nossa sociedade.

Entendemos que a Reitoria deveria se preocupar com a permanência dos estudantes através das políticas de Assistência Estudantil ao invés de proferir declarações totalmente descabidas sobre políticas tão importantes para a diminuição da desigualdade em nosso país.

Convocatória para Conselho de CA’s e DA’s

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES

LIVRE FERNANDO SANTA CRUZ

2 de outubro de 2012

De: DUCHS (Ciências Humanas de Volta Redonda), DADJ (Engenharias de Volta Redonda),  DAHJ (Economia), DACO (Comunicação),  DAPROCULT (Produção Cultural), DACA (Ciências Atuariais), DACA (Arquitetura),  DAMK (Serviço Social).

 

CONVOCATÓRIA

Viemos por meio deste, convocar o referido Centro ou Diretório Acadêmico para o Conselho de CA´s e DA´s da Universidade Federal Fluminense a ser realizado no dia 9 de outubro do presente ano, terça-feira, as 18h no Auditório da Faculdade de Economia.


Os pontos de pauta inicialmente propostos são:

 

1) Informes;

 

2)Greve

3)Regulamentação de Festas

 

Atenciosamente,

____________________________

Diretório ou Centro Acadêmico

Moção de repúdio ao trote do Direito UFF

“A injustiça, por mais ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida” .
Rui Barbosa

O Diversitas, coletivo LGBT que reúne alunxs da Universidade Federal Fluminense, que milita em prol da livre expressão sexual e/ou diversidade de gênero, vem por meio desta manifestar seu veemente repúdio e denunciar os abusos e crimes cometidos na Faculdade de Direito durante a “Semana do Trote”. Tal evento que deveria recepcionar e acolher xs novxs alunxs se baseia na apologia de um grupo, veteranos da faculdade de direito, em detrimento de outros: calourxs, alunxs de direito de outras universidades, homossexuais, cotistas negrxs e mulheres.

Primeiramente, cabe relatar aqui as situações de extremo constrangimento às quais alunxs ingressantes foram submetidos por alunxs veteranxs. “Brincadeiras” como passar bala de boca em boca, pegar linguiça coberta por preservativo (uma nítida referência a práticas sexuais) e colocar cuecas e sutiãs por cima da roupa demonstram o caráter vexatório do ritual. Além disso, ao longo da semana, músicas, com teor discriminatório e preconceituoso, são ensinadas pelos veteranos aos calouros, com o objetivo de despertar o “espírito uffnático” ao depreciar outras instituições de ensino superior. Trechos como: “Congo Cotista… Só entrou por cota é isso que te dói”, uma provocação aos graduandos da UERJ pela política de ações afirmativas. “Noitada da PUC termina na Le Boy”, um ato que estimula homofobia e preconceito pela livre orientação sexual. “Mulheres da UFF são capas da Playboy”, discurso que corrobora com o machismo ao submeter as mulheres à visão de objeto sexual, servem de exemplo para evidenciar as atitudes inadmissíveis que ocorrem na “Semana do Trote”.

O argumento de que “participa quem quiser” não pode ser usado para legitimar essas ações desprezíveis que estão enraizadas na “tradição” do Direito-UFF. Ainda porque, há um poder coercitivo para que os calouros participem, uma vez que não participarão da festa de recepção (Festa dos Calouros) caso se neguem a compactuar com a forma pela qual o trote é reproduzido. Desse modo, exclui-se e de forma arbitrária os alunxs ingressantes que não concordam e aceitam este tipo de trote.

Entendemos que o preconceito voltado aos ditos “grupos minoritários”, como negros, mulheres e a população LGBT, existe na sociedade há anos e que, apesar de atualmente possuir características distintas de momentos históricos anteriores, ainda permanece forte e vivo em pleno século XXI. Isso é nítido com os índices de violência voltados para estes setores da população.

Enviamos esta moção de repúdio aos discentes, ao Centro Acadêmico, à Comissão de Trote, à coordenação e à direção do curso e a todos aqueles que são responsáveis pela excelência acadêmica desta faculdade, tendo em vista as práticas abusivas e inaceitáveis que são cometidas impunemente e sem questionamentos. Vale ressaltar que, tratando-se de um curso de Direito, onde um dos princípios se baseia no respeito à diversidade, é contraditório que tais atos sejam praticados por futurxs advogadxs, magistradxs, desembargadorxs e membros do judiciário.

Diversitas UFF

Assinado por: DCE-UFF, Aduff e Sintuff